Importante

O Hades Report está recrutando colaboradores para todas as suas seções. Daremos preferência a pessoas interessadas em Notícias de Guerra, com posicionamento Crítico e que tenham experiência em blogs e conteúdo web.

Tratado contra Minas Terrestres

2009 December 7
by Pedro Penido

Obama X Minas Terrestres

Barack Obama, prêmio Nobel da Paz, decide não assinar tratado contra o uso de minas terrestres.

Ao contrário de outros 150 países, EUA, China, Rússia, Paquistão, Índia e Birmânia não acreditam que a não-fabricação, a não-comercialização e a não-utilização de minas terrestres ajude a evitar as mortes de civis em áreas de conflito ativas e/ou desativadas.

Em alguns lugares do mundo pessoas são vitimadas até hoje por minas instaladas em momentos de guerra no passado.

Fonte: Tribunal Iraque
http://tribunaliraque.info/pagina/artigos/noticias.html?artigo=587

Acompanhe!

2009 November 6
  • Grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch denuncia a falta de colaboração dos governos da Venezuela e da Colômbia na investigação do assassinato de dez pessoas por um grupo armado não identificado na fronteira entre os dois países. Leia mais.
    .
  • Tráfico de drogas e crime organizado ameaçam a recente estabilização política da Guiné-Bissau. De acordo com fontes das Nações Unidas, mesmo com a crescente queda no consumo generalizado de drogas, o crime organizado ainda é fator caos nas ambições do país. Leia mais.

Cheney e o Poder Paralelo

2009 July 13

Vice de Bush ordenou que CIA ocultasse plano do Congresso

de Patrícia Campos Mello, de Washington, para o ESTADÃO

“A CIA escondeu do Congresso americano a existência de um programa secreto antiterrorismo durante oito anos, por ordem do ex-vice-presidente Dick Cheney. O atual diretor da CIA, Leon Panetta, informou as comissões de Inteligência da Câmara e do Senado que Cheney ordenou, pessoalmente, que todos os dados sobre o programa – ainda não revelados (mais informações nesta página) – fosse ocultada do Congresso. Panetta acabou com o programa assim que soube de sua existência, no dia 23, de acordo com o jornal The New York Times.

Ontem, senadores democratas pediram a abertura de uma investigação sobre as ações de Cheney. Segundo a senadora democrata Diane Feinstein, o ex-vice não pode ficar acima da lei. Outro que protestou foi o senador democrata Dick Durbin. “O Poder Executivo não pode criar programas como esse e deixar o Congresso no escuro”, disse Durbin em entrevista ao canal de TV ABC. “Isso precisa ser feito de forma apropriada para que não ameace a segurança nacional, mas também não é possível ter um enorme programa ocultado do Congresso, isso pode ser ilegal.”

O caso volta a pôr em evidência a prática do governo de George W. Bush de manter sigilo sobre vários de seus programas – e, principalmente, a acusação de que Cheney tocava um governo paralelo, sem prestar contas ao Congresso.

Além disso, o programa reacende a discussão sobre quanto os legisladores sabiam a respeito dos programas secretos da CIA. Em maio, a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, afirmou nunca ter sido informada pela CIA sobre o uso de simulação de afogamento durante interrogatórios de suspeitos de terrorismo. A CIA afirma que Pelosi foi, sim, informada sobre a prática, considerada similar à de tortura.

A lei americana exige que as comissões de Inteligência sejam informadas de “todas as atividades de inteligência dos EUA”. Mas a Lei de Segurança Nacional deixa um pouco de espaço de manobra no que se refere ao conteúdo dos briefings para legisladores – “devem ser feitos na medida que não revelem informações sigilosas de fontes, métodos ou outros tópicos extremamente sensíveis.”

Em casos de “ações secretas”, na qual a participação dos EUA é ocultada, os briefings podem se limitar à chamada “Gangue dos Oito” – os líderes democratas e republicanos da Câmara e Senado e de suas comissões de Inteligência.

“Quando uma unidade da CIA revelou a existência do programa para o diretor Panetta, o fez com a recomendação de que ele compartilhasse a informação com o Congresso. Ele concordou e fez isso rapidamente”, disse um porta-voz da CIA, Paul Gimigliano. Nos meses tensos logo após os atentados do 11 de Setembro, quando integrantes do governo Bush acreditavam que um novo ataque da Al-Qaeda podia ocorrer a qualquer momento, os agentes de inteligência criaram programas radicais contra o terrorismo – e foi nesse ambiente que o programa secreto foi adotado e ocultado do Congresso.

As comissões de inteligência do Congresso foram criados nos anos 70, para evitar abusos cometidos pela CIA, como as ações clandestinas para derrubar governos na América Latina e tentativas de assassinato.

Alguns legisladores democratas acusam o governo Bush de ter limitado de forma ilegal o acesso das comissões legislativas às informações e querem mudar a Lei de Segurança Nacional. O presidente Barack Obama, no entanto, ameaça vetar qualquer lei desse tipo, porque a legislação poderia ir longe demais, ameaçando o trabalho das agências de inteligência.”

Golpe em Honduras

2009 July 6

Ataque à Democracia

por Leonadro Fernandes, de Caracas – Venezuela.
05 de Julho de 2009

Estava marcado para hoje o retorno do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, que no domingo passado sofreu um golpe de estado por parte de do alto mando militar e de instituições do poder hondurenho. Logo das primeiras horas do dia, uma enorme marcha foi organizada na capital Tegucigalpa rumo ao aeroporto internacional para receber a quem reivindicam como seu legítimo presidente.

Desde o domingo passado, o país centro americano vive uma ditadura comandada pelo senhor Roberto Micheletti, que declarou logo pela manhã que o presidente Manuel Zelaya estava proibido de regressar ao país. Ainda assim, de Washington, Zelaya partiu para a capital Tegucigalpa acompanhado de uma comitiva de jornalistas e representações diplomáticas.

Pela tarde, o presidente golpista Roberto Micheletti, deu uma coletiva de imprensa, onde demonstrou total determinação em seguir adiante sem absolutamente nenhuma concessão ou possibilidade de negociação com os organismos diplomáticos. Vale dizer que ontem, sábado 04, o secretário geral da Organização de Estados Americanos – OEA – José Miguel Insulza visitou o país e afirmou que o governo golpista não havia dado nenhum sinal de possível negociação.  Roberto Micheletti, na coletiva de imprensa, ainda deslegitimou a decisão da OEA de suspender Honduras desta organização e aplicação da Carta Democrática. Micheletti também acusou, nesta ocasião, que tropas nicaragüenses estavam se aproximando da fronteira, e ameaçando invadir o país pelo retorno do presidente Zelaya.

Enquanto realizava a coletiva de imprensa, nos arredores do aeroporto internacional, uma enorme mobilização popular, organizada pelos muitos sindicatos e organizações sociais que mantém uma greve geral desde a segunda feira passada, tentava furar o cerco militar que estava fortemente armado em todo o aeroporto internacional de Tegucigalpa. Por volta das 5 da tarde, cerca de 50 mil pessoas conseguiram furar o cerco militar e foram duramente reprimidos pelos efetivos que estavam no lugar. Durante mais de 30 minutos os militares dispararam contra o povo que estava desarmado em uma manifestação completamente pacífica. Desde ontem, a Telesur, canal de televisão venezuelano, denunciou que haviam franco-atiradores posicionados nas torres de controle do aeroporto com ordem de disparar contra qualquer tipo de rebelião popular, ainda que estivesse desarmada. A ação das forças armadas hondurenhas deixou um saldo de mais de 5 mortos e dezenas de feridos, como denunciou as imagens de Telesur, e o dirigente do Bloco Popular, Juan Barahona que também anunciou que as mobilizações continuam amanhã, e que seguem exigindo o retorno do presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya.

Telesur também denunciou a cobertura de vários veículos de comunicação internacionais que chamaram os acontecimentos de hoje de um enfrentamento entre manifestantes e exército, ao passo que as imagens divulgadas pelo próprio canal de televisão venezuelano mostram uma agressão brutal do exército hondurenho contra uma manifestação pacífica e completamente desarmada.

Por volta das 6 e meia da tarde o avião que trazia a comitiva do presidente Zelaya sobrevoou o aeroporto internacional de Tegucigalpa, mas rapidamente foi ativada uma mobilização de efetivos do exército hondurenho para impedir que o avião pousasse no país. O presidente Zelaya, assim como o comandante da aeronave deram declarações a Telesur, ainda quando sobrevoavam a capital, e denunciaram que a pista de pouso do aeroporto se encontrava fechada pelos militares e que o governo golpista havia proibido a entrada do presidente Zelaya no país.  Dessa forma, a comitiva que levava o presidente Zelaya partiu para a Nicarágua, de onde poucos minutos depois se dirigiram a El Salvador, onde o presidente hondurenho se reúne nesta noite com outros presidentes latino-americanos, como Cristina Fernández, do Equador, Rafael Correa e Fernando Lugo do Paraguai o esperavam para uma reunião onde se deve determinar novas ações pela restituição do presidente hondurenho. Também acompanhava o presidente Zelaya o Ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro.

De El Salvador, o presidente Daniel Ortega, da Nicarágua, desmentiu que tropas nicaragüenses estivessem posicionadas na fronteira com Honduras, e denunciou que se tratava de uma campanha do governo golpista para incitar ao confronto internacional e velar o processo político anti-democrático que vive o povo hondurenho.

Agora pela noite, de San Salvador, o presidente Manuel Zelaya se solidarizou com os mortos no massacre produzido hoje na capital hondurenha de Tegucigalpa.

Os movimentos sociais, que resistem desarmados à repressão militar que vem intensificando desde o golpe no domingo passado prometeram resistir na greve geral e na mobilização nas ruas de várias cidades do país, para exigir o retorno do presidente Zelaya a suas funções como presidente da república de Honduras. Neste momento as negociações com o governo golpista devem ser retomadas de imediato, e dessa forma, os organismos diplomáticos internacionais devem propor novas ações contra o regime golpista hondurenho.

Honduras: a futilidade do golpe

2009 July 1

Golpe em Honduras

Golpe em Honduras

por Atilio A. Boron [*]

A história repete-se e, muito provavelmente, conclui-se da mesma maneira. O golpe de estado nas Honduras é uma re-edição do que se perpetrou em Abril de 2002 na Venezuela e daquele que foi abortado na Bolívia no ano passado, após a fulminante reacção de vários governos da região. Um presidente violentamente sequestrado durante a madrugada por militares encapuzados, seguindo ao pé da letra o que indica o Manual de Operações da CIA e a Escola das América para os esquadrões da morte; uma carta de renúncia apócrifa que foi divulgada a fim de enganar e desmobilizar a população — e que foi de imediato retransmitida para todo o mundo pela CNN sem confirmar previamente a veracidade da notícia; a reacção do povo que, consciente da manobra, sai às ruas para deter os tanques e os veículos do Exército com as mãos limpas e exigir o retorno de Zelaya à presidência; o corte da energia eléctrica para impedir o funcionamento da rádio e da televisão e semear a confusão e o desânimo. Tal como na Venezuela, mal encarceraram Hugo Chávez os golpistas instalaram um novo presidente: Pedro Francisco Carmona, rebaptizado pela criatividade popular como “o efémero”. Quem desempenha o seu papel nas Honduras é o presidente do Congresso unicameral desse país, Roberto Micheletti, que neste domingo juro como mandatário provisório e só um milagre o impediria de correr a mesma sorte que o seu antecessor venezuelano.

O que aconteceu nas Honduras põe em evidência a resistência que provoca nas estruturas tradicionais de poder qualquer tentativa de aprofundar a vida democrática. Bastou que o presidente Zelaya decidisse convocar uma consulta popular – apoiada com a assinatura de mais de 400 mil cidadãos – sobre uma futura convocatória a uma Assembleia Constitucional para que os diferentes dispositivos institucionais do estado se mobilizassem para impedi-lo, desmentindo desse modo o seu suposto carácter democrático: o Congresso ordenou a destituição do presidente e uma sentença do Tribunal Supremo validou o golpe de estado. Foi nada menos que este tribunal quem emitiu a ordem de sequestro e expulsão do país do presidente Zelaya , perfilhando como fez ao longo de toda a semana a conduta sediciosa das Forças Armadas.

Zelaya não renunciou nem solicitou asilo político na Cosa Rica. Foi sequestrado e expatriado, e o povo saiu às ruas para defender o seu governo. As declarações que conseguem sair de Honduras são claríssimas nesse sentido, especialmente a do líder mundial da Via Campesina, Rafael Alegría. Os governos da região repudiaram o golpismo e no mesmo sentido manifestou-se Barack Obama ao dizer que Zelaya “é o único presidente de Honduras que reconheço e quero deixar isso muito claro”. A OEA exprimiu-se nos mesmos termos e na Argentina a presidenta Cristina Fernández declarou que “vamos promover uma reunião da Unasur, ainda que Honduras não faça parte desse organismo, e vamos exigir à OEA o respeito da institucionalidade e a reposião de Zelaya, além de garantias para a sua vida, sua integridade física e da sua família, porque isso é fundamental, porque é um acto de respeito à democracia e a todos os cidadãos”.

A brutalidade de toda a operação tem a marca indelével da CIA e da School of Americas: desde o sequestro do presidente, enviado em pijama para a Costa Rica, e o insólito sequestro e as pancadas dadas em três embaixadores de países amigos: Nicarágua, Cuba e Venezuela, que se haviam aproximado da residência da ministra das Relações Exteriores de Honduras, Patrícia Rodas, para exprimir-lhe a solidariedade dos seus países, passando pela ostentatória exibição de força feita pelos militares nas principais cidades do país com a intenção clara de aterrorizar a população. Na ultima hora da tarde impuseram o toque de recolher e existe uma censura estrita da imprensa, apesar do que não se sabe de declaração alguma da Sociedade Interamericana de Prensa (sempre tão atenta perante a situação dos media na Venezuela, Bolívia e Equador) a condenar este atentado contra a liberdade de imprensa.

Cabe recordar que as forças armadas das Honduras foram completamente reestruturadas e “re-educadas” durante os anos oitenta, quando o embaixador dos EUA nas Honduras era nada menos que John Negroponte, cuja carreira “diplomática” conduziu-o a destinos tão distintos como Vietname, Honduras, México, Iraque, para posteriormente encarregar-se do super-organismo de inteligência do seu país chamado Conselho Nacional de Inteligência. A partir de Tegucigalpa monitorou pessoalmente as operações terroristas realizadas contra o governo sandinista e promoveu a criação do esquadrão da morte mais conhecido como o Batalhão 316, que sequestrou, torturou e assassinou centenas de pessoas dentro de Honduras enquanto nos seus relatórios para Washington negava que houvesse violações dos direitos humanos nesse país. Certa vez o senador estado-unidense John Kerry demonstrou que o Departamento de Estado havia pago 800 mil dólares a quatro companhias de aviões de carga pertencentes a grandes narcos colombianos para transportassem armas para os grupos que Negroponte organizava e apoiava nas Honduras. Estes pilotos testemunharam sob juramento, confirmando as declarações de Kerry. A própria imprensa estado-unidense informou que Negroponte esteve ligado ao tráfico de armas e de drogas entre 1981 e 1985 com o objectivo de armar os esquadrões da morte, mas nada interrompeu a sua carreira. Essas forças armadas são as que hoje depuseram Zelaya. Mas a correlação de forças no plano interno e internacional é tão desfavorável que a derrota dos golpistas é só questão de (muito pouco) tempo.

28/Junho/2009

[*] Director do Programa Latino-americano de Educação a Distancia em Ciências Sociais (PLED), Buenos Aires, Argentina

O original encontra-se em http://www.atilioboron.com

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Golpe em Honduras

2009 June 30

Nas Entrelinhas do Golpe

por Leonardo Fernandes

O dia de hoje na capital hondurenha de Tegucigalpa foi marcado por forte repressão contra as mobilizações contra o golpe militar que se deu no país na madrugada do dia de ontem, domingo, 28 de junho.

Ao final da tarde de hoje, o governo golpista mandou seus efetivos fecharem os poucos veículos de comunicação que continuavam funcionando no país, principalmente os veículos internacionais que enviavam imagens desde Honduras para o resto do mundo. A equipe da televisora pública venezuelana Telesur foi detida pelos efetivos militares e para sua libertação foi necessária uma dura intervenção do embaixador de Venezuela em Honduras, que ainda se encontrava no país. O canal venezuelano é o único veículo internacional de comunicação que, desde o dia de ontem quando se deu o golpe. Além de Telesur, os poucos veículos independentes que continuavam informando a população hondurenha também foram fechados pelos militares, que alegaram questão de segurança o fechamento das televisoras. A jornalista da Telesur Adriana Sivori, assim como jornalistas da agência de notícias American Press (AP) foram detidos pelos militares e passaram por momentos difíceis em poder dos golpistas.

O presidente Manuel Zelaya, que atualmente se encontra na capital nicaragüense de Manágua, disse hoje que irá a Honduras na próxima quinta-feira junto à comissão da OEA que visitará o país neste dia.

Com uma população completamente desarmada, ficou fácil para o governo militar reprimisse as manifestações que ocuparam as ruas de Tegucigalpa, provocando duas mortes, inúmeros de feridos e vários desaparecidos; muitos destes dirigentes de movimentos sociais. As mobilizações cumprem o plano de atividades dos movimentos sociais que pararam o país com uma greve geral sem duração prevista, segundo alguns dirigentes, até o retorno definitivo do presidente Manuel Zelaya a suas funções de chefe de estado de Honduras.

Muito importante também dizer da cobertura que alguns meios de comunicação privados do mundo têm divulgado informações falsas sobre os ocorridos em Honduras desde ontem. Muitos desses veículos, com o objetivo de deslegitimas o presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya reportam que o golpe militar acontece diante da tentativa do presidente Zelaya de aprovar no domingo sua reeleição como presidente da república. Sendo que a consulta que se daria no domingo se tratava apenas de uma pesquisa de opinião popular para saber da aprovação da população sobre a possibilidade de se convocar uma assembléia constituinte. É importante dizer que a consulta não teria nenhum caráter aprobatório, e não dizia da reeleição do presidente, senão que a possibilidade de uma reforma da constituição hondurenha.

Pela tarde, a Secretária de Estado norte-americano Hilary Clinton deu uma declaração dizendo que os Estados Unidos seguiriam com o compromisso de cooperação econômica com o governo hondurenho, e que o presidente Zelaya forçou toda a situação que ocorre em Honduras, ao insistir na convocação da consulta cidadã que ocorreria no domingo. Apesar de que pouco depois o presidente estadunidense Barack Obama tenha dado declarações de não reconhecimento a qualquer governos que não seja do presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya, as declarações prévias da Secretária de Estado, demonstram que jamais estaremos enganados quando relacionamos os Estados Unidos com as intervenções fascistas de grupos militares de direita na região latino-americana, como o foi na Bolívia no ano passado, Venezuela em 2002, ou mesmo durante todos os sangrentos anos de ditadura militar em nossos países durante algumas décadas atrás.

No dia de hoje, várias reuniões se sucederam na capital nicaragüense de Manágua onde presidentes de todo o continente rechaçaram o golpe militar em Honduras e exigiram a restituição do presidente Manuel Zelaya no desempenho de suas funções como presidente do país centro-americano. Os presidentes dos países membros do ALBA – Alternativa Bolivariana para os povos das Américas, também de SICA – Sistema de Integração Centro Americana, Grupo do Rio, e convidados como o secretário geral da OEA José Miguel Insulza, permanecem na Nicarágua discutindo as medidas que serão tomadas no sentido de reverter a situação de golpe. O secretário da OEA também viajará a Honduras nesta quinta-feira, quando deve acompanhá-lo o presidente deposto Manuel Zelaya.

Também os países do ALBA decidiram por unanimidade retirar seus embaixadores de Honduras, assim como não reconhecer nenhum funcionário do poder público hondurenho que não faça parte do governo legitimamente eleito de Manuel Zelaya.

Golpe em Honduras

2009 June 30

Golpe Militar em Honduras: Dia 2

por Leonardo Fernandes

Desde as primeiras horas do dia os canais públicos de televisão da Venezuela, principalmente o canal intercontinental Telesur, vem enviando informações desde Honduras ao vivo sobre a situação política no país centro-americano.

Há pouco tempo, a Telesur denunciou o cerceamento do trabalho da imprensa no país. Um grande número de veículos de imprensa forma tomados pelo exército golpista ou mesmo fechados deliberadamente e os únicos meios que continuam funcionando são os meios privados que somente reproduzem desenhos animados e programas de entretenimento.

A Telesur também divulgou imagem das mobilizações populares que estão ocorrendo neste momento em Tegucigalpa, capital hondurenha. Frente à greve geral convocada pelos sindicatos e movimentos sociais de todo o país, e o fechamento de vias na capital, o governo golpista mantém todo o país, principalmente a região onde se concentra o poder do país, fortemente militarizado, endurecendo ainda mais o cerco militar e a repressão no país.

Desde que lograram o golpe militar na manhã de ontem, domingo, os militares que detém o poder em Honduras deram uma série de declarações condenando a relação do presidente democraticamente Manuel Zelaya com presidentes sul-americanos como Fidel Castro e Hugo Chávez Fríaz.

A ministra de Relações Exteriores de Honduras, Patrícia Rodas, seqüestrada pelos militares na manhã do dia de ontem, foi trasladada para o México com vida, depois de horas sob poder das forças repressivas. A ministra se dirige hoje para Manágua, capital da Nicarágua para assistir junto ao presidente Manuel Zelaya à reunião do SICA – Sistema de Integração Centro-americana.

Ainda hoje, se está sendo realizada uma nova reunião entre os países membros da Alternativa Bolivariana para as Américas – ALBA – também em Manágua pelo segundo dia consecutivo.

Também foi convocada uma reunião de emergência do Grupo do Rio, numa articulação para envolver a governos que não fazem parte nem do ALBA, nem do SICA, como Brasil, Chile, Argentina, ambos que já manifestaram seu rechaço ao golpe militar em Honduras.

As mobilizações populares seguem fortemente nos mediações do palácio presidencial na capital Tegucigalpa, e em resposta, um grande efetivo militar protege o palácio do governo e se prepara para a reação, que no dia de hoje, demonstra ser mais forte do que no primeiro dia de golpe.

Golpe em Honduras

2009 June 30

Golpe Militar em Honduras

por Leonardo Fernandes

Na madrugada deste domingo o presidente democraticamente eleito em Honduras, Manuel Zelaya sofreu um golpe de estado por parte de uma cúpula de militares das Forças Armadas Hondurenhas.

O presidente Zelaya, depois de ser seqüestrado dentro de sua residência, foi trasladado para São José, Costa Rica, onde permanece. O golpe de estado aconteceu no dia em que ocorreria uma consulta popular sem caráter deliberativo para respaldar uma convocatória a uma assembléia constituinte junto com as eleições presidenciais que deveriam ocorrer no final do ano corrente.

O presidente Manuel Zelaya desde eleito promoveu um diálogo próximo ao grupo do ALBA – Alternativa Bolivariana para as Américas, que envolve alguns presidentes com posições de esquerda na América Latina, como Cuba, Nicarágua, Bolívia, Equador, entre outros. O projeto que prevê acordos de cooperação mútua entre países do continente, agrega em sua carta de princípios a promoção da democracia participativa, principal bandeira do projeto bolivariano da Venezuela. Por essa razão, o presidente Hondurenho Manuel Zelaya havia convocado uma consulta popular, com único caráter consultivo, para saber da aprovação popular pela convocatória de uma assembléia constituinte para aprovação de uma nova Carta Magna para o país centro-americano.

Logo nas primeiras horas desse domingo, o presidente Zelaya fez contato com o canal de televisão Telesur, desde Costa Rica, onde foi resguardado pelo governo deste país, que mais tarde, assim como a grande maioria dos países Americanos, condenou o golpe militar em contra do presidente democraticamente eleito.

Pouco tempo depois, a Ministra de Relações Exteriores Patricia Rodas também se pronunciou por meio da Telesur, relatando a brutalidade de como se deu a intervenção militar no processo democrático do país. Quando ainda fazia contato com o canal de televisão, a Ministra foi seqüestrada assim como os embaixadores de Cuba, Venezuela e Nicarágua por um grupo de militares encapuzados em suas residências na capital hondurenha, Tegucigualpa. Os seqüestrados foram levados de forma violentados pelos militares e a Ministra Patricia Rodas permanece desaparecida, assim como vários outros seqüestrados pelos golpistas durante todo o dia. Os meios públicos de comunicação da Venezuela também denunciaram que vários ministros do governo de Manuel Zelaya foram detidos pelas forças armadas, assim como líderes de movimentos sociais que levam milhares de manifestantes às ruas em Honduras.

O presidente da Venezuela Hugo Chávez Fríaz se pronunciou ainda pela manhã deste domingo, rechaçando a intervenção militar em Honduras e disse que a reação em contra esse golpe deve vir de dentro e fora do país, indicando que através se iniciaria uma articulação para a reação contra a situação política que vive o povo hondurenho. Durante todo o dia, outros chefes de estado também se pronunciaram em rechaço ao golpe de militar, como o presidente da Bolívia Evo Morales, da Nicarágua Daniel Ortega, de El Salvador Mauricio Funes , do Brasil Luis Inácio da Silva e Cristina Fernández da Argentina, entre muitos outros.

Durante todo o dia, houveram manifestações em diversas partes do país centro americano, principalmente na capital Tegucigualpa. Na Venezuela, milhares de pessoas se concentraram em frente ao Palácio de Miraflores para manifestar solidariedade e apoio ao povo hondurenho na resistência contra o golpe militar da extrema direita hondurenha, pela restituição do presidente democraticamente eleito, Manuel Zelaya e respeito à vontade popular.

Desde Venezuela, abriu-se uma discussão importante sobre a situação em Honduras. O avanço de uma direita golpista frente ao estabelecimento de uma nova concepção de democracia participativa e fortalecimento de movimentos sociais de esquerda na região latino-americana. Tal avanço reflete em uma necessidade da classe burguesa desses países em manter-se em posição de combate às políticas que vêem sendo tomadas através de mecanismos como o ALBA, da qual já fazia parte Honduras.

Ao fim do dia, o presidente do Congresso Nacional, nomeado presidente da República de Honduras, depois do golpe militar desta manhã, Roberto Micheletti, deu a primeira coletiva de imprensa negando que havia ocorrido um golpe de estado no país, dizendo que somente se havia cumprido normas constitucionais, que ocorreram de maneira violenta e sem qualquer respaldo além de dos grupos políticos golpistas hondurenhos e de alguns meios de comunicação privados do país. Micheletti foi nomeado presidente da república depois que o Congresso Nacional exibiu uma carta de renúncia do presidente Manuel Zelaya, com uma assinatura mais tarde comparada pelos meios públicos venezuelanos com a assinatura verdadeira do presidente hondurenho. Além disso, o próprio Zelaya, desde Costa Rica, desmentiu a suposta carta renúncia. Ao fim do dia, Micheletti anunciou um toque de recolher de 24 horas, mas os manifestantes que continuaram nas ruas se negam a respeitá-lo.

Muito parecido ao que ocorreu durante os dias de abril de 2002 em Venezuela, quando depuseram o presidente Hugo Chavez durante três dias por meio de um golpe militar, o canal estatal foi tomado pelos militares logo nos primeiros minutos do dia, assim como diversos outros veículos de comunicação do país. Os canais privados estiveram durante todo o dia exibindo desenhos animados e programas de entretenimento, vedando o cerco midiático no país. Ainda assim, alguns veículos funcionaram dentro da clandestinidade mandando e recebendo informações para outros países. Assim mesmo, esses veículos tiveram muitas dificuldades para a transmissão de informações devido ao corte de energia elétrica em todo país denunciado pelo presidente Zelaya desde Costa Rica. Em Venezuela também, os meios de comunicação privados promoveram uma cobertura pro golpista, contra a postura do presidente venezuelano que disse ao fim do dia: “esse governo golpista, o derrocaremos”.

Durante o dia, o conselho de embaixadores da OEA – Organização de Estados Americanos – se reuniu e condenou enfaticamente o golpe de estado, militar, ocorrido em Honduras neste domingo. E convocou uma reunião para a próxima terça-feira 30, para determinar ações em contra ao governo golpista, que segundo esse mesmo conselho, não será reconhecido por essa organização.

Para o mesmo domingo, pela noite, foi convocada uma reunião com caráter de urgência em Manágua, na Nicarágua, entre os países que compõem a ALBA, para determinar as ações em favor da restituição de Manuel Zelaya como presidente de Honduras. As organizações sociais de esquerda hondurenhas chamaram à greve geral e à mobilização popular, que no dia de amanhã deve continuar, com fechamento de estradas e outras atividades por todo o país.

O presidente Chávez garantiu uma articulação para reverter o golpe de estado neste domingo em Honduras. Muitas coisas estão em jogo. O avanço da direita através de governos militares nos países latino-americanos frente a um fortalecimento de governos progressistas na região, uma possível repetição histórica do que ocorreu na região durante as décadas de 60 e 70.

Ainda com um pronunciamento contra os ocorridos em Honduras por parte do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, muito se conhece da história de intervenção norte-americana nos países do sul, bastante justificada pela atual crise econômica que vive o capitalismo, e conseqüentemente crise da economia dos Estados Unidos.

A crise política em Honduras, provocada por setores das Forças Armadas desse país, representa, portanto, mais uma intervenção dos setores da burguesia em países latino-americanos, como os que ocorreram nos últimos anos em Venezuela, em 2002 e na Bolívia, no ano passado, ambos fracassados.

Alguns links para seguir acompanhando os fatos em Honduras nesse domingo, 28 de junho.

www.telesurtv.net

www.aporrea.org

www.radioglobohonduras.com – Rádio clandestina hondurenha que segue com dificuldades enviando informações para fora do país.

EUA e Coréia do Norte: Guinada rumo à guerra

2009 June 19

Por Lucas Morais*

Após semanas de tensão entre os dirigentes do autoritário regime belicoso da Coréia do Norte e os dirigentes de países como Japão, Estados Unidos e Coréia do Sul – todos hostis ao regime norte-coreano – mais um fato aprofunda a tensão de uma possível guerra. No fim da Era Bush era aparentemente iminente um conflito entre os EUA e seus aliados europeus com o Irã. Entretanto, o conjunto de fatos tendem a reforçar a possibilidade de um enfrentamento armado com a Coréia do Norte.

O regime norte-coreano sempre utilizou de seu poder nuclear para arrancar benefícios em acordos com as grandes potências. Entretanto, a escalada de tensão provocada pela Coréia do Norte nestas últimas semanas teve como efeito apenas isolá-la ainda mais. De frente a tal fato e sob um processo de transição de líderes, a ala linha-dura do regime toma a frente e promete realizar mais testes com mísseis, agora de longo alcance. Robert Gates, secretário da Defesa dos EUA, afirma que o exército norte-coreano planeja testes de mísseis a serem realizados entre os dias 4 e 8 de julho, que lançaria um míssel que passaria ao norte do Japão em direção ao Havaí.

O regime nada comunista da Coréia do Norte possui uma capacidade bélica que, mesmo sendo extremamente danosa à humanidade, é ineficaz contra uma ação conjunta entre os exércitos imperialistas dos EUA e de países europeus.

EUA e China

Muito estranho é o não pronunciamento, ou, o pronunciamento pouco significativo, da China (maior parceiro político, econômico e militar do regime norte-coreano) com relação à escalada de tensões. Os dirigentes da burocracia chinesa tendem a ser uma ente de diálogo entre a Coréia do Norte e os EUA, principalmente. Entretanto, a omissão chinesa acaba por favorecer apenas ao Estado norte-coreano, enquanto que os EUA, em uma profunda recessão econômica gerada pela superprodução de capitais, passam a ver uma guerra com a Coréia do Norte cada vez mais próxima. Outro elemento importante para entender este conflito é o advento do imperialismo. Uma guerra com a Coréia do Norte reaqueceria o mercado armamentista dos EUA, o que, em parte, favoreceria a Washington, mas com o agravente de um presidente democrata tendo de desgastar sua imagem frente a um conflito de tamanho peso. No caso do Iraque, sabemos que realmente não haviam armas químicas ou nucleares. No caso atual, a existência de armas nucleares potencialmente danosas a toda a humanidade é constatado e acompanhado cotidianamente pelos aparatos de espionagem norte-americanos.

A possibilidade de um ataque ao Havaí remonta ao período do fim da Segunda Guerra Mundial, quando o Japão promoveu um ataque “surpresa” no Havaí e culminou com as bombas nucleares sob Nagasaki e Hiroshima. A desnuclearização é hoje outro problema fundamental a ser enfrentado pela humanidade, ou do contrário estaremos sempre sujeitos às loucuras militares dos imperialistas.

* Jornalista, http://lucasmorais.blogspot.com

América Latina: Peru

2009 June 15

Os conflitos atuais do Peru

por Leonardo Fernandes*

Na manhã de ontem, quinta-feira, 11 de junho, cerca de 300 pessoas se reuniram na embaixada do Peru em Caracas, Venezuela, para protestar contra o massacre de dezenas de indígenas na Amazônia peruana. O movimento, que integra Aporrea, a Comunidade Peruana Residente na Venezuela, o Centro de Estudos Sociais José Carlos Mariátegui, a Marea Socialista, o Coletivo de Trabalhadores em Revolução e a Frente Comunal Simon Bolívar, serviu de resposta a atual política do governo de Alan García contra os povos indígenas que vivem na Amazônia deste país acossados por recentes decretos legislativos que representam uma agressão à soberania dos povos originários da Amazônia.

O movimento ainda denunciou a maneira racista como vem tratando do assunto os veículos de comunicações peruanos e internacionais e ainda plantou uma série de reivindicações, entre elas, o julgamento político e penal ao presidente Alan García, sob a denúncia de agressão aos Direitos Humanos, derrogatória imediata dos decretos de leis “Antiamazônicos”, cesse imediato ao Toque de Recolher na região de Bagua, indenização aos familiares das vítimas do massacre, eleições para uma Assembléia Constituinte, por uma nova Constituição soberana, descentralista, democrática e patriótica, fim da criminalização das lutas amazônicas e sociais, assim como a liberdade dos companheiros lutadores do povo indígena peruano, inclusive o seu dirigente Alberto Pizango.

A manifestação em Caracas acontece no mesmo dia em que manifestações em todo o mundo marcam um dia de lutas pela solidariedade com os povos indígenas amazônicos. No Peru, manifestações por todo o país marcaram o dia de ontem. Em Lima, cerca de cinco mil manifestantes tomaram as ruas e foram duramente reprimidos pela polícia.

Desde Venezuela, onde o governo do presidente Hugo Chávez, todavia não se pronunciou, as organizações sociais vêm tocando o debate de fundo sobre a situação no Peru. Frente à crise econômica mundial, os ataques ao povo devem ser intensificados pelos governos pró-capitalistas, como única forma de salvar o sistema econômico da burguesia. Frente a isso, a reação popular deve ser também intensificada. Assim se faz muito necessária a solidariedade e uma especial atenção aos movimentos de resistência no Peru, que constituem, portanto, para dizer o mínimo, uma fagulha de um processo de transformação refletida na ira de um povo por seu direito.

A luta no Peru vai mais longe ainda, por se tratar da luta dos povos originários da Amazônia, povos estes que ao longo da história de colonização de nossa América, foram massacrados, expulsos de suas terras, assassinados mais de centenas de vezes pelas diversas formas de colonização de nossos povos. É uma tarefa e uma responsabilidade da esquerda internacional, e ainda mais de nós latino-americanos apoiar a luta do povo peruano, por um outro modelo de sociedade.

Foi exatamente por isso, que as recentes declarações do presidente fascista do Peru, o senhor Alan García, faziam ataques severos aos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Hugo Chávez. O temor: que diante da crise, o povo se desperte para a construção de uma nova sociedade governada para o povo desde o próprio povo.

Junto com a convocatória para o ato de ontem, as organizações apresentaram uma pequena cronologia que explica um pouco dos últimos acontecimentos que culminaram no massacre de dezenas de indígenas no último dia 5.

Cronologia de uma matança anunciada

Novembro de 2007: Alan García publica no “prestigioso” diário “O Comércio” seus inteligentes artigos “el perro del hortelano” e “el perro del hortelano reloaded”, onde o nosso supremo presidente diz:

“O primeiro recurso é a Amazônia. Tem 63 milhões de hectares e chuva abundante. Nela, se pode fazer florestação madeireira especialmente nos 8 milhões de hectares destruídos, mas para isso se necessita propriedade, quer dizer, um terreno seguro sobre 5.000, 10.000 ou 20.000 hectares, pois em menos terreno não há investimento formal de longo prazo e de alta tecnologia.

Agora só existem as concessões que dependem da vontade do Governo e do funcionário que pode modificá-las. Por isso ninguém investe nem cria um posto de trabalho por cada dois hectares como deveria ser; nem há elaboração da madeira e exportação de móveis. Em sua maioria, essas concessões rapinas só têm servido para tirar a madeira mais fina, desflorestar e abandonar o terreno.

Pelo contrário, a propriedade formal por grandes empresas coletivas como os fundos de pensões permitiria fazer investimentos de longo prazo desde a semeadura até a colheita anos depois.

Os que se opõem dizem que não se pode dar propriedade na Amazônia (e por que sim na consta e na serra). Dizem também que dar propriedade de grandes lotes daria lucros a grandes empresas, claro, mas também criaria milhares de empregos formais para peruanos que vivem nas zonas mais pobres”.

Alguma menção aos povos indígenas? Não há, seguimos na época da seringa ao parecer…

12 de dezembro de 2007, García pede ao Congresso faculdades para legislar (por decretos legislativos) temas referentes à implementação do TLC (Tratado de Livre Comércio). Atenção que, segundo a Constituição Peruana, quando se pede faculdades para legislar, estas são específicas, e só se pode legislar sobre a matéria que se estabelece, nesse caso, o TLC.

19 de dezembro de 2007, o Congresso, como sempre tão rápido e eficiente, lhe concede as faculdades, artigo 2: o conteúdo desses decretos se limitará ao que concerne ao TLC. As faculdades são por seis meses.

28 de julho de 2008, ou seja, um pouco antes que se acabe o prazo para legislar, lança uma quantidade de Decretos Legislativos. Alguns regulavam até o tema das universidades, definitivamente muito que ver com o TLC…

Setembro e agosto de 2008, começam as paralisações dos povos indígenas, contra esses decretos.

Agosto de 2008, paralisação dos povos indígenas (AIDESEP agrupa a 1350 comunidades nativas): o Congresso derrogou o D.L. 1015 (a lei da selva, que permitia comprar, com o acordo de três pessoas, toda a propriedade da comunidade. Também a Defensoria apresentou uma demanda de inconstitucionalidade contra este D.L.) e o D.L. 1073. Javier Velazquez Quesquén, deputado do partido de García, o PARA, disse que conformará uma comissão para avaliar os Decretos Legislativos.

Dezembro de 2008, a comissão do Congresso apresentou seu informe, mas Quesquén disse que o apresentará no dia primeiro de fevereiro, já que os congressistas estavam de férias.

1 de fevereiro de 2009, chegou o dia do prazo, Quesquén não se pronunciou.

12 de março, AIDSEP envia cartas a Velásquez Quesquén lembrando qual havia sido seu compromisso.

9 de abril, não há resposta alguma da autoridades (já passou um mês desde o envio das cartas!!! Já passaram três meses desde que Quesquén se comprometeu a apresentar o informe!!!). Os líderes (atenção, não somente Pizango, cada comunidade tem um chefe que a representa) concordam em iniciar uma paralisação, mas restrita ao interior de suas comunidades.

18 de abril, em vista que ninguém fez caso das reivindicações – em uma entrevista Simón, o primeiro ministro do governo de Alan García, qualificou as demandas dos povos indígenas como caprichos – o movimento decide radicalizar o protesto.

20 de abril, se reúnem na Presidência do Conselho de Ministro. Simón se comprometeu com AIDESEP a formar uma comissão multisetorial (poder executivo e AIDESEP), mas diante da imprensa Simon diz que assinará a resolução para essa comissão multi setorial quando se levando a paralisação.

24 de abril, Quesquén diz que irá apresentar o informe da comissão multipartidária (o mesmo informe que deveria ser colocado para debate no dia 1 de fevereiro, porque em janeiro os congressistas estiveram de férias), mas… mas… mas antes deveria ser aprovado pela junta de porta-vozes… a junta de porta-vozes não a aprovou em totalidade.

Ultima semana de abril, Tarapoto y Yurimaguas se unem à paralisação.

9 de maio, o governo declara em emergência distritos amazônicos de 5 regiões do Peru. Estado de emergência: em caso de perturbação à paz ou à ordem interna, de catástrofe ou de graves circunstâncias que afetem à vida da NAÇÃO… (isso diz a constituição, bem claro, QUE AFETE A VIDA DA NAÇÃO).

11 e 13 de maio, Pizango se reúne com Simon. Não chegam a nenhum acordo. Simón diz que Pizango fala em castelhano, mas por telefone, se dirige “aos nativos” em seu “dialeto” (não sabe um primeiro ministro a diferença entre dialeto e idioma?)

15 de maio, Pizango fala do direito à insurgência.

16 de maio, Alan diz: “a selva é de todos os peruanos e não somente de um grupo” (não sabe por acaso o que implica o direito à propriedade e da posse? Não sabe que muitos povos têm títulos de propriedades desde os anos 70? Recordamos a ele o que o Código Civil diz sobe o direito à propriedade: “é o poder jurídico que permite usar, disfrutar, dispor e reivindicar um bem. Deve exercer em harmonia com o interesse social e dentro dos limites da lei”). Esse mesmo dia os dirigentes se reúnem com a Defensoria do Povo e anunciam que o protesto será dentro do Estado de Direito.

19 de maio, o D.L. 1090 (lei florestal e de fauna silvestre) é declarado inconstitucional pela comissão do Congresso, sua derrogatória agora tinha que ser DEBATIDA (atenção, não somente votada) pela totalidade do Congresso.

22 de maio, a tia Charo (Rosario Fernándes) denuncia a Pizango por incitar a rebelião, a sedição e a conspiração e diz: “escutamos os argumentos do senhor Pizango e não parecem de um nativo desprevenido”.

4 de junho: deliberadamente suspenderam o debate da derrogatória: Mulder, dirigente do PARA interpôs uma questão prévia para suspender o debate e a votação sobre essa lei até que a comissão multi setorial (sim, a mesma de Simon com os indígenas, que desde 13 de maio está parada), remita um informe sobre os decretos questionados. Nesse mesmo dia a Defensoria do Povo apresenta uma demanda de inconstitucionalidade: o D.L. 1064 vulnera os direitos constitucionais de propriedade da terra e de consulta prévia dos povos indígenas.

5 de junho: 369 “efetivos” da DINOES (Direção Nacional de Operativos Especiais) completamente armados, mais pessoal das Forças Armadas (também super armados), vão levantar o protesto, tendo como conseqüência: 23 policiais mortos e mais de 40 indígenas mortos e 120 desaparecidos. Sai então o chefe da Polícia a dizer que como “os nativos estão usando armas”, isso demonstra a infiltração. Conclusão de seu raciocínio: como são indígenas, não podem usar armas (seu cérebro não dá para tanto) e devem ser desprevenidos.

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Leonardo Fernandes é um grande e inspirador amigo, atualmente residente na Venezuela, onde trabalha e estuda. Mantém seu faro investigativo jornalístico alinhado com os movimentos e convulsões sócio-político-econômicas da América Latina e faz análises críticas sobre suas percepções em relação a este cenário.